em frente a porta

sustentei meus olhos na altura dos teus. neles escrevi a mensagem mais clara que conseguia. te pedia desesperadamente para ir, depois friamente, depois nada mais. você compreendeu. nada precisava ser dito. as coisas pareciam fáceis. o adeus estava tão claro que não precisava de nada mais.

as coisas pareciam fáceis.

você negava. digladiava. tergiversava.

duvidou e disse que eu era um estranho enquanto se jogava em mim como um réptil nojento que me cravou as unhas quando menos esperava.

não senti dor. te achava tão tola enquanto chorava. passava as mãos em meus cabelos, descia como carinho como agressão. você era ruína. e cada vez mais tola. cheirando a mim, minhas coisas, eu só me afastava de você prostrada aos pés da cama.

sobre o velho tapete empoeirado. eu era quase pena. você não era mais tola. era amorfa como o sentimento que restara. que em tu agora era ira. me xingava de brocha, de bicha e que ia por fogo na casa.

era pra sair humilhado. você vingada. mas sabia que você me amava. era minha.

saí.

parei em frente à porta.

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