seu nome essa prece

marina,

é sábado, cinco e meia da manhã. não durmo bem desde segunda. a chuva que cai na cidade é fria, fria, e não há nada a meu lado, nada a que se agarrar no cômodo vazio que você deixou. da varanda, queima o nono cigarro de insônia em minha boca e, pasme, o vizinho do 402 ainda nem reclamou. acho que eu o beijaria, se ele aparecesse aqui agora. mas não vejo sequer um carro lá fora, nem cachorro, nem mendigo. nenhum sinal de vida. parece que o mundo foi farrear longe, hoje, e não me convidou. fiquei. bebendo o café aguado que o silêncio coou. e não há mesmo nada a dizer. e ninguém diz mesmo nada, por milhas e milhas. ninguém. a não ser meu sangue, o ir e vir de meu sangue em fôlego ansioso, vibrando seu nome. marina. nunca lhe disse como acho lindo seu nome. soaria bobo; perdia a coragem. sim, sempre fui um fraco. não servia nem de segurar as canecas de casa, lembra? lembra-se dos cacos no chão, marina? lembra-se de algo que fomos? quando eu afinal fechar os olhos, espero que você ressurja das minhas pálpebras cansadas.

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