joão era grave

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joão sofria de uma tristeza rasa havia alguns dias. todas as manhãs, a mesma ferida. o mesmo rosto magro e marcado que o espelho impõe. o mesmo corpo, essa jaula.

joão se escondia atrás de postes.

de postes e de pessoas, estrangulador de ternuras. e não sabia que todo mundo era assim, que não há um que não fale, olhe e seja visto através de suas próprias grades.

joão era grave.

tinha o sertão adormecido na goela. queria saber um pranto que o limpasse de si, que fizesse a terra parar de ter sede.

joão não se via no espelho.

seus olhos eram nublados de muito tempo. o que ele via era um borrão fazendo caretas. joão conhecia a linguagem de flores e pedras. o sol dentro da tarde alumiava suas funduras. tinha esperança, a seca ia embora. teimoso, apenas resistia ao fim de ser verde.

uma tarde quase morta, tomou banho e saiu. ainda podia respirar. quis sorrir grande. talvez assim a vida aprendesse.

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