Olha a chuva

Cada estação tem seu cheiro e suas cores. Isso é diferente onde o tempo corre impreciso. Os limites são imperceptíveis e, constante, ignorados pela natureza. Mania besta de contar o tempo.

Naquele dia, notou que a florada de jambo e o cheiro da quarana apontavam os prenúncios do verão. Era inverno. Sempre foi assim nos muitos verões que viu. Chuva fina, algum frio e muitos dias de nuvem e nevoeiro. Mas esse seria o primeiro. Tinha sol. Era o primeiro caminhado em par. Martelando esse pensamento, a tarde vencia e ainda não marcava doze o relógio.

O país se desmontava. Que bom vou trabalhar mais dias e em horas por dia. Nenhuma notícia boa chegava em dias. A praia tava cheia e a cerveja custava menos, tava quente. O freezer era bom. Era desesperança, desassossego, infinitos… olha lá um arco-íris.

Desistindo do mundo, ou de pelo menos entendê-lo, sentou em um banco de madeira embaixo duma árvore e esperou. E escreveu planos pro futuro. Tudo virava silhuetas em luz plena. Coisas tão cheias de dimensões viravam planos com o lusco-fusco que torna tudo em mistério. Concretos.

O amor chegaria em minutos pra juntos se afastarem dali. Passaram-se anos.

O sol se deitava e a primeira estrela, que é um planeta, reinava no céu junto com uma lua crescente que parecia um sorriso. A noite era sem lua. Não era noite ainda.

Deram fortes as mãos. Dias bonitos viriam.

Olha a chuva!

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