golpes: desertos

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rompe do fundo do horizonte, nublada e fria, a manhã. o sol, envergonhado, doura uma grande tristeza, porque, hoje, todos nós embalamos ao colo um filho morto. é com a carne tonta da febre vã da vigília que, estarrecido, sinto golpear-me a vida. o golpe, oxalá pudesse vê-lo. não se entende o golpe. o golpe ninguém sabe de onde vem, esta facada furtiva. o golpe é ordinário e de todas as direções, faz qualquer coisa minha cair e tinir no infinito, saltar os miolos, e nada faço no mundo senão sangrar. o golpe é do tamanho da dor que causa. dor-deserto. e tudo é deserto. tudo é deserto…

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