teia

Pela janela, sois em raios tímidos não aventuravam aquecer o frio seco que no inverno dominava. À porta, campainha que, paulatina, virou berros, pancadas. Ignorava.

Deitado com a barriga para cima e mãos cruzadas à altura do peito. Como morto, mas meio vivo, entregue pelas bolas dos olhos que acompanhavam o balançar de uma teia de aranha abandonada e tomada pela poeira. Rememorava tu, tal como gata a roçar a cabeleira farta entre minhas pernas, em busca de algo a saciar essa tua fome que não ardia o estômago.

Num repente acordava em sobressalto, tua pele quente amornava minha frigidez. Cheguei a sentir tua língua, doce víbora, que me envolvia em beijos de invasão, eu-homem-latifúndio-corrompido a querer teu assentamento, posseira. Agora tu era imagem borrada em vaga memória que, cinza, não conseguia te recordar. Tu só soube ser mulher e nem retrato me deixou.

Eu, agora nada, agora ninguém. Restou-me a teia abandonada, a aranha se foi. Eu, mosca-presa-enredada suplico para ser comido mas quem me caçou não vem, nem virá. O inverno lá fora domina, a secura aqui dentro dói mais.

Quero reintegração de posse.

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