sobre volta e açude cheio

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quando laura deu as caras de novo, zé largou o grito mais arrinado que alguma vez se ouviu na terra, e não teve tamanho a frouxidão no que restava de pernas daquele sofredor. quem já viu o derradeiro tiro sabe como é: dá tremedeira besta, bate disparado coração, um diacho travesso bole com a gente, beliscando a carne toda, mas junto à diaba não tem chororô. aparece do nada mermo e pega um e torce o pescoço sem mais nem menos, afogando o tempo de falta em suor e saliva, jorrando aroma e vapor, de ponta a ponta mordidos por fuligens antigas. uma tal de brabeza boa, alegria barata da mulesta. ela voltou desfilando, em passo de grande cerimônia. a seca tinha fugido. e foi tanta a imensidão do açude dentro dele, e tanto seu lampejo, que o homem, inchado de feitiço, ficou logo mudo de lindeza, represando, a muito custo, enxurrada dos olhos. as palavras não conseguem explicar essas coisas, vira tudo suspiro. ali, entre o pôr do sol e a noite recém-parida, se quedaram um à margem do outro, confidenciando horizontes e estupidezes, porque amavam. decidiram que a dor era o tempero que dava gosto à aventura humana e viram no amor doença incorrigível.

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