lavoura de sonho [o início]

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Cavou mais uma cova. Dentro do bolso da velha camisa xadrez, retirou uma semente diferente. Já não sabia quantas árvores tinha plantado e quantas mais precisaria plantar. Sentia menos em cada semente que alcançava o solo. Sentia-se menos.

Dez anos que descobriu esse poder. Percebeu-se como único dos seus depois duma longa chuva e se abraçou numa estranha tristeza. Sentiu um leve incomodo no bolso, e viu uma semente grande e pesada, com espinho por toda testa. Plantou e sentiu toda tristeza fugir do corpo e nunca mais voltar. E aos poucos foi extraindo todos os sentimentos ruins: ira, inveja, medo, vaidade… e o bosque por ele construído com árvores medonhas.

Ninguém desconfiava, tampouco entendiam aquele ser dotado apenas de sentimentos bons. E aos poucos foram se afastando. Incapaz de ficar deprimido, começou se desfazer dos sentimentos bons. Por fim depositou a esperança e deitou com olhos vazios e se encontrou com a morte.

O bosque estranho borbulhou em frutos e por muitos anos, seguiu seus ciclos de flores e frutos que acabavam no chão, nascendo novas plantas que povoaram vastidões, até alcançar povos que comeram seus frutos e se tornaram tiranos, melancólicos, tenros, pueris, alterando o frágil equilíbrio dos seres pro bem ou pro mal.

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