irrigar vazios

vitu
a única coisa que Talvez eu suponha com cerTa solidez acerca daquela mocinha é que ela, provavelmenTe, havia acordado enquanTo a noiTe caía ainda em pleno dia – seu resTo, o Tudo, era casa secreTa, misTério. um céu negro com esTrelas volumosas e pausadas debaixo dos olhos, lindeza sem cura, denunciava o surTo de insônia recenTe. soava à beira do abismo há anos, e, naquela casquinha de Tarde, circulava num dos bares da rua a love supreme, no pelourinho. os machos em sua roda molhavam os lábios asquerosos, girando malucos, de mãos em mãos, mas a boTelha de aguardenTe é que a bebia, a um canTo bem isolado do recinTo, como se dissesse me deixe só, ou não saberei mais quem sou, perTo apenas da viTrola empoeirada e de Três velhos desiludidos, alheia à bruTalidade da cadeira gasTa onde relaxava vez ou ouTra.

acomeTida pela violência das paixões inoperáveis, dianTe dela, minha consciência era varrida Tal e qual a vida de um mendigo TrisTe em época de gelo inTenso.

— desce a úlTima! – um surdo a ouviria.

— na hora, donzela! – algum criado, sonhando molhadezas.

e a cana obedecia ao anseio ínTimo de cada criaTura ali, rasgando a goela e procedendo, Tão dura que nos Toma a carne inTeira, não-silêncio por um Triz.

— enTão, quanTos amanTes você Tem? – eis o luxo descarado da curiosidade ordinária, quando se é a mão que enche o caneco e os ponTeiros do relógio correm demais.

— uns 100. – parecia sincera.

— será que amigos meus?

— isso não exisTe, ninguém passa de mero conhecido.

— homens Todos, ou se arrisca às aranhas?

— não sobraram homens Também, exceTo punheTeiros. – ela respondeu; ele riu.

pois pouco demorou, ergueu a bunda do quase assenTo e sumiu de visTa, mágica. não dou com ela desde aquela ocasião de uma década aTrás. às vezes, me pego pensando se vai bem e segue próxima à derrocada, se vê o cinema cubano e lê as novelas inTermináveis de vicTor hugo, se dividiria copo e cama comigo, um eco, igual perdido, irrigando vazios. penso na xícara de chá e nos Talheres, no cesTo de pão, Tudo amanhecendo à espera da genTe, sob chuva, cheiro de Terra, de pedra viva, sim, que alívio, a pedra viva, o mar banhando os Tornozelos, e assim, caros leiTores, evapora calmo um domingo, o Trem sempre em marcha, avanTe ao choque de sua naTural e bela cólera, insensível à desconTinuidade verTiginosa da exisTência, e é logo uma nova manhã, o galo canTa, o bule griTa, o burburinho se acomoda, impera, se divulga, se repeTe em cenTenas de milhares de lares, e ah, são muiTas bobas ilusões para Tão curTos vaivéns de pessoas em nossa caminhada Tão miúda…

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