A mão que domava o vestido

Woman sitting at bar

Bebeu os dois dedos de uísque, sem gelo. Esperou queimar, como era de costume, mas não daquela vez, desceu macio. Pela primeira vez. Levantou abaixando o vestido justo que deixava as coxas intencionalmente mais expostas aos ninguém. Ela apenas gostava de suas coxas.
Desfilou até o banheiro. Olhos de desejo a seguiam, a queriam, a comiam. Ela apenas seguia, obstinada pela bexiga pequena e pelo desejo de mexer na bolsa, passar batom, riscar mais o olho, corar mais a face.
Voltou e ignorou mais um pouco os olhos e se fez de surda aos menos educados. Pediu mais um uísque sem gelo e virou, esperando o queimor que mais uma vez não veio. Ao contrário de muitos que agora chegavam e ofereciam bebida e conversa que ela não queria. Não tinha nada de novo.
Como fome saciada, pagou e saiu.
Sentiu um vulto caminhando ao seu lado, sem nada dizer, sem olhar. Era apenas calor ao lado. Queimou o que a bebida não fizera. Depois de um tempo, deram-se as mãos e escandalizaram mais ainda os olhos. Com a mão livre, ambas ajeitavam os vestidos que teimavam em subir.

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