Homem nu

maos

Conheciam-se tanto que este nem parecia o primeiro encontro. Ele cativara-lhe o riso e ela o encantava pelo não atuar, artigo raro entre as pessoas com quem outrora ele se envolvera. Nos últimos dias pareciam ser um do outro, conversas de atenção sem fim, não viria mais ninguém e assim estava bom. Eram tolos, eram lindos, eram sorrisos multicores da forma gritante que todos os amores iniciais devem ser, mesmo que não fosse amor. Não sabiam se iriam durar, na verdade não sabiam se iam querer o durar, mas havia o querer.

Uma conversa, um chopp, um cantor desafinado que já nem escutavam, desejo de crescente encantamento a quebrar barreiras e convenções sociais. Quantos encontros seriam necessários para transar sem serem julgados? Na verdade, sem ela ser julgada. Homem que transa no primeiro encontro é garanhão, o conquistador. Já a mulher é a vagaba, vadia, julgada até mesmo por tantas iguais a ela que preferem se privar do inegável querer para se adequarem ao instituído como certo. Ela não. Odiava convenções, as regras não lhe cabiam, foi dela a iniciativa:

– Sua casa ou a minha?

– Ahn?

– Aqui já deu o que tinha que dar, um lugar pra nós dois seria melhor pra terminarmos essa conversa. -Ela sorriu convidativa, falavam tanta coisa sem concluir assunto algum, papo que tem somente uma forma de terminar.

– Pode ser pra minha, é mais perto daqui. – Ele deu aquele sorriso curto de quem tem o domínio da situação.

Puseram-se a caminhar até o carro, lado-a-lado, vez ou outra deixavam os braços roçarem um no outro a estreitar a conversa sem rumo. No carro o caminho foi tranquilo, ela o observava de lado, ele transpirando confiança e comandar. Em casa não havia muito o que dizer, partiram pra ação, mãos preenchidas um do outro, bocas emudecidas em tresloucadas trajetórias, a noite prometia.

Ele brochou.

Eis que parecia a maior derrota de sua vida. Ainda nem chegara aos trinta e se deparou com seu maior medo desde que soube que uma dia seu pau não subiria. Duvidou, tripudiou. “Tenho tesão muito!”. Agora era menor que poeira, humilhado, o tom erótico da penumbra, virou lacônico, e aquelas curvas antes convidativas era agora um precipício em que ele queria se jogar.*

Ele brochou.

Era um espetáculo aquela muralha de segurança e controle desabando na moleza de um membro, agora tão murcho e pequeno. Ela sorriu. Ele antes certo e resoluto, ar de machão, já estava deixando ela em dúvida se o veria outra vez. Aninhou aquela massa exposta de carne na boca e sugou com a voracidade e empenho de quem encontrou seu homem. Era ela dona da situação e de tudo ali, pelo menos aquela noite. Não importava o número de encontros ou o que iria suceder, ela sabia que o amava.

*Agradeço ao Gren por entrar em consonância com o que escrevo, contribuição maravilhosa!

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3 comentários sobre “Homem nu

  1. Lacrou Iza! Vou confessar um negócio. Da primeira vez que brochei me senti igual ao homem do conto. Com a idade (tenho 44 rumo aos 45) não precisa dizer que esse fenômeno já aconteceu mais algumas vezes, e em uma delas levei a parceira ao gozo fazendo nela um belo sexo oral, e sei que já gozei muitas vezes lá dentro sem fazer a parceira gozar. Conclusão: quando o pau ficar mole, use a língua rsrsrs.

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