Em noite de lua elas saem pra dançar

 

fotoplantaaquaticagren

Ciganas a desperdiçar encanto nos olhos de quem não merece. Bebida alimentando sede que jamais teria fim, o álcool como carta de alforria. Alguns desavisados insistiam em algum tentar. Pobres rapazes. Elas nada queriam, ou queriam tudo e com eles nada. Olhos pintados em preto, bocas a sorrirem vermelhas, roxas e rosas, a vida a sorrir em pêssego, a vida passando em um trago ou dois. Em noite de lua elas saem pra dançar. O mundo passando em encanto, a vida girando a contento, dinheiro pouco multiplicando felicidade de quem ralava para o ter. Entendiam o valor em gastar e o gastavam sem temer, afinal dinheiro era para isso, o amanhã incerto e o suor sofrido. Era labuta, era leito, era louça, era lança, era louca lavando, levando, lendo, lambendo, ligando, louvando e outros lucrando, levando a contento. E valor elas não tinham, e querer não podiam, exceto em luar. Em noite de lua cheia elas saem para dançar. A vida passando em filme, em roteiro sem medida. A fita medindo as cores e o sabor, amor em boca pedida. Perdidas. Eram elas, frutas e flores, eram álcool sorvendo a bebida, eram magas, deusas, amores, eram poesia sem métrica, esquecidas. E o mundo girava tonto, e as pessoas passavam sóbrias e no peito agreste dos homens, um querer de chover mágoas. Elas soavam e suavam em cio, queriam decompor a roupa. Vergonha? Quase nada, ou pouca. Queriam sair sem medo, queriam se libertar, disformes. Queriam seguir conforme seu instinto mandava atuar. E em noites de prata lua, saiam para dançar. Gritavam, insanas e nuas todos  os seus esquecimentos. Olhos firmes em olhar feito, tormenta guardada no peito sem entoar nenhum lamento. Aprenderam a encarar a morte e viver sem um alento. Pois, embora, houvesse desapontamento, sorriso nenhum se curvava ante qualquer sofrimento. Eram rainhas coroadas ao vento e Oyá o seu suprimento. Se o mundo insistia desafetos, riam-se de corpo aberto, de tudo aprenderam a driblar. Enxergavam o mundo em cores de fêmeo pintar. Respeitavam a si e às dores que aprenderam outrora domar. Quando tudo tombava em dissabores, a lua insistia e elas saiam, livres à dançar.

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