Justiceiros

No rosto de Zé era suor de fuga e em olho o frio de medo. Olho de não saber o que foi ou o que fazia ali.

Nunca soube que antes ali, três tiros no escuro e um fio de sangue que virou poça. Em povo da rua, essa poça virou rio, mar e inundou o mundo. Em Zé sobrou apenas peso de culpa erro de trajeto, morte atribuída em mãos e raiva em grupo.

Assim, essa noite virada em dia de vultos, sirenes e velocidade. Tudo era desejo de justiça ou era medo de justiça.

Tem-se o encontro truculento.

Tudo agora era clamor de povo, revolta em mãos pesadas, olhos de ira, porrada de graça, abraço em poste, dente posto no chão.

Se fosse certo, era grade em parede, algemas, era justiça o que esperava se assim o fosse. Agora era umidade, violência, violação. Era do desumano o natural.

Era fim de vida. Era sentença cumprida.

[na ficha de Zé, se leria INOCENTE].

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