volta

tantas vezes disse que volta e não volta.

só doía nos dias que da janela não dava pra ver a lua, o que obrigava a caminhar até ao passeio da rua. merda! era uma lonjura de poucos. carregar o peso da espera, da saudade.

era caminho vago, porta de espera. na rua quieta, bandeirolas do último são joão balançavam eternas, até cair. o que mais o intrigava era a chuva. parecia zombar, molhava apenas quando encontrava o beiral, dois passos para trás e ela não entrava mais. ficou indo e vindo, brincava com a chuva.

deitou no chão e lambeu a poça d’água formada. bebia água, bebia areia até se confundir com o chão. ele era terra, cada grão de areia agora era seu corpo, extenso até a beira do mundo.

nele agora corriam os rios, todos pisavam, dele levantavam vôos. das árvores, as folhas repousavam depois de ser verde e as raízes adentravam nele que agora era terra, que apanhava das ondas em dia de vento ou recebia afago em dia de calma.

e quando era praia, queria ser farol. luz de fim de dia, acesa para você voltar.

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3 comentários sobre “volta

  1. “Só doía nos dias que da minha janela não dava para ver a lua…”
    Isso foi perfeito! Redundante falar que sou leitora e fã. Parabéns!

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