últimos dias dos homens

As cidades sucumbem ao tempo. O limo e a hera documentam a passagem, tomam paredes, telhados e transformam todas as cores existentes em verde escuro.

As cidades morrem todos os dias. Nas ruas, a palidez do dia venta vultos e esqueletos de árvores mortas que seguem eretas e dão a entender que o inverno jamais irá embora.

Seria o derradeiro jovem ou o último velho? Como seria o mundo se não se desse mais nascidos? Ou quando o último racional tombasse, depois de vagar anos a fio sozinho, num minguar eterno da lucidez? Coisas ganhariam vida em sua cabeça para vencer a solidão. Cansou do devaneio e como quem desiste e se entrega à poltrona aos domingos vendo tv aberta, mesmo roubando sinal de tv à cabo. Hábitos resistem ao tempo. Levantou.

Ganharia vida o nome. Em pernas, braços, arranjo de invenção: nome virando gente, virando vida dobrando a esquina chegando pra perto. Chegando onde o olho alcança, a mão enxerga, as pernas fazendo caminho quase frágeis.

Cavou coragem na ponta da faca e no muro que fechava a viela, riscou teu nome. Partiu. Não se sabe se à tua procura ou em fuga. O limo e a hera cobririam teu nome.

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2 comentários sobre “últimos dias dos homens

  1. “O limo e a hera cobriram teu nome”. Estariam a protegê-lo da erosão e das intempéries ou, ao contrário, acelerando o processo de “decomposição”. Ninguém sabe…

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