primeiro encontro

Apesar de não ter o hábito de olhar pra trás, me virei e te vi. Sustentei o olhar. E repeti como um ritual novo e delicioso. Não seria um dogma, mas a luz que aqueles olhos negros mostravam, mornava o dia e as bochechas que coravam em denúncia. E apesar do relógio continuar girando, as unhas e fios de cabelo no perpétuo crescer, o clichê ousou em congelar o tempo, como quem mija em habitats glaciais.

Por quantas horas estive perto sem te ver? Mas só te ver já não bastava. A absorção do olhar é leviana. O toque é quase gozo, e num momento de esperança o que logo virou desalento, reparei que não tinha espaço para sentar ao teu lado e se tivesse, a timidez não me permitiria atrevimento superior ao olhar. Maldito desconhecido, maldito fugir de palavras!

“Chama atenção de longe”. Vesti um sorriso que não foi visto. Teu olhar sorria pra mim? O balanço do caminho não deixava confirmação. E como balançava. Era cair do mundo, calafrio, suor percorrendo a testa de nervoso. De tanto não havia, era novo, era perfeito.

Mesmo com o claro e calor do dia dominando o ambiente, não fazia sentido algum que só você estava acordado naquele momento. Ouso chamar de acaso. Ajustei um querer no peito. Tarde demais. Aqueles olhos estavam impressos em mim. Dali e para sempre, jamais estaria sozinho.

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2 comentários sobre “primeiro encontro

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