O dia em que virou saudade

Antes, desatou a gravata e lançou no rio. A espera que a água levasse ficou apenas na expectativa, quando na verdade, viu o vermelho vivo submergir, ganhando tons mais escuros até se confundir com o leito do rio manso.

O dia também perdia a cor. Uma lua cheia tomava a altura do horizonte e preenchia de pálido as formas que se erguiam eretas nos caminhos até o rio. Na volta, arrastava os pés como quem apagava rastros, como quem não queria ser encontrado, como “quem perde o rumo e desatina”, como quem “semeia flor do esquecimento”.

Mas não era o rastro que precisava ser perdido. A gravata levada. A cor roubada. Não era pra lua ser grande…

Tem dia de tudo virar lembrança. Outros, saudade. Depois repousa onde ninguém mais irá lembrar. Toda existência varrida de não viver na memória de ninguém. Apenas antecipou o limpar, o polir, o ariar… e da saudade, chegou teu dia de virar, nada.

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