Bunda

Apoiado em travesseiros, sentara na cama com as mãos cruzadas sobre a barriga desnuda. Uma luz fraca entrava pelo pedaço da janela que a cortina esquecera de cobrir. Seus olhos passeavam no corpo que repousava. Se firmavam na bunda.

Bunda. Rabo. Bumbum. Pandeiro. Cu … Riu com olhos dos nomes à medida que esses rompiam a cabeça. Tanto nome para algo tão bonito. Optou pelo bunda mesmo para prosseguir o devaneio do sono que ainda não veio pós-gozo.

Por essa bunda valeria matar. Ou morrer. Melhor matar, poderia vê-la nos dias de visita íntima na prisão. Morrer seria a separação eterna, sentiu um aperto estranho e uma vontade súbita de vomitar de tristeza. A segunda conclusão da noite: melhor não se meter nessas coisas de morte pra desfrutar dessa vista toda noite.

Vou começar a fumar. Um cigarro cairia como um troféu após sair dessa bunda. Alérgico à fumaça de cigarro percebeu que uma crise de tosse retiraria toda a sensualidade do momento.

No celular, fez um selfie com um sorriso igual aos que chegam a primeira vez ao corcovado. Ela, a bunda, ao fundo. Deletou. Tava escura.

A mulher se vira. Calcinha pequena, um triângulo vermelho amarrado por duas tiras de tecidos e um laço discreto de fita. Fita da mesma cor que usava nas pipas dos tempos de guri. Cena linda, mas já tinha saudades da bunda: _ ei, acorda e vira que quero foder.

 

Anúncios

2 comentários sobre “Bunda

  1. No Brasil, então, a bunda é a protagonista dos imaginários e quem nunca presenciou uma virada de pescoço pra admirar a bunda alheia rsrsrs.
    Gostei, Grê!!!
    Bjussss!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s