arestas

soltava a fumaça devagar, por fora da janela. a porta era denúncia. tremia um pouco pelo frio que a noite teimava em trazer, mas a cada trago, se sentia quente, dono, livre.

o barato não viria aquela noite.

o barato não viria nunca mais?!

sentiu-se escuro, fundo e tenso.

saltou a janela e correu. tentou alcançar a lua com as mãos, que tremiam orquestradas pelo ar.

dançou. lutou. girou.

deitou na rua de paralelepípedos com arestas ainda não comidas pelo tempo e mesmo assim não sentiu desconforto. suas arestas o tempo ainda não tinha arredondado.

doíam as pedras.

naquele trago, naquela noite, naquele barato, ele não percebeu quão livre que era e suas arestas desceram a ladeira pra não voltar.

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