Esperança

Impulso na ponta dos pés e a trajetória cortava o ar. Ia, voltava…

Deitado, se deixava balançar na rede. Uma rede colorida, xadrez, com fios amarelos e azuis entrelaçados. Imponente, amarrada na cumiera, desenhando um arco convidativo a se balançar. Assim ele ia, voltava.

“A África vive pior epidemia de Ébola”. “Novos corpos são encontrados próximos ao local onde o avião foi abatido”. “Explosão mata 60 em fábrica na China”… fotos com olhos marejados captam as dores; ilustram e causam aflição.

O mundo ia. Ia! Ia?

Adormeceu.

A rede parou. O mundo não.

Se acordasse, em algum lugar o mundo traria novas misérias. Em outro, um pássaro regurgitava a comida no bico do seu filhote, em um ninho de galhos entrelaçados, num semi-círculo protetor. Convidativo.

O mundo ia.

Também voltava.

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4 comentários sobre “Esperança

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