Cerveja e tira-gosto

Era vento. Vento e borrões verdes e marrons. Rápidos, vertiginosos em serpenteio numa pressa mais veloz que a minha capacidade de encontrar as palavras para descrever a cena. A volta se anunciava, nada além.

“Bem-vindo à Santana do Livramento.”

O tempo parara ao desligar o motor da moto. Desceu o capacete, pendurando-o cuidadosamente no retrovisor, abriu o blusão para aliviar o calor: estava de volta, lugar quente como o inferno!

Caminhou e em cada passo, lutava para reconhecer um rosto familiar. Retomou algumas conversas interrompidas por alguns anos. Falava do tempo, da vida na capital, do preço da arroba do boi, das partidas de dominó nos finais de tarde, do tempo novamente. Assuntos que nem eram seus, mas eram de sua cidade amiga, de sua vida antiga. Faltava o reencontro de verdade. Da amizade interrompida.

Mandou um whatsapp: “cheguei, tô em Ana, ainda não pedi a cerveja pra não quebrar a promessa”.

Depois de um longo abraço, daqueles de ligeiras balançadinhas pro lado:

_ Agora entregue meus souvenires.

_ Ih! Esqueci.

_ Idiota!

Riram. Sentaram na velha lanchonete, a mesma de sempre. Só sentavam ali juntos. Beberam a tarde e uma parte da noite, pediram os tira-gostos de sempre: “estar com você me engorda”. Contaram as novas e as velhas histórias.

Por muitos outros anos iriam se repetir.

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6 comentários sobre “Cerveja e tira-gosto

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