Sabor de fruta e sonho

Sentada no banco da praça, descansava de um trabalho nem existente. Não ajudava nos afazeres domésticos, cuidar dos irmãos. Vivia somente pra alimentar seus sonhos de adulto, suas zombarias com o sexo oposto e explorar sua sexualidade na imaginação. Afinal, numa cidade com cinco mil habitantes, jogos sexuais reais dariam o que falar e jogaria um nome na lama.

Mas fogo é algo que num se controla por muito tempo, e Mundinho, seu namorado de alguns poucos anos estava cada dia mais atrevido. Por vezes ela sentiu algo duro a roçar a perna, na altura da virilha. Ela sabia bem o que era, mas se fazia de desentendida e se afastava: quantas vezes espiou sorrateiramente os pais no silêncio das noites? Vontade tinha, mas até as mãos eram controladas e os beijos tímidos. Boa moça!

E no auge das insistências:

_ Mundinho, só depois de casar, mas se quiser pode chupar minha boceta!

Pedido simples, claro, direto, normal para os casais. Mas esse não era o caso. Causou estranheza no rapaz: ela nunca o tinha sequer deixado passar a mão. O repelia com tapas, tamanha era sua pureza.

Ele desceu, suspendeu sua saia, arrastou sua calcinha para o lado e começou a chupar. Timidamente, nervoso. Definitivamente ele não gostava do cheiro que saia dessa parte dela, tão diferente de seu lábio com gostinho de jabuticaba, ou seu pescoço com sabor de carambola; procurava apenas lamber, sem penetrar a língua. Ele nunca tinha encostado sua boca num xibiu, apesar das atitudes aparentarem ser um entendido de mulheres e seus artifícios.

_ Chupa direito, caralho! _ Desse jeito eu não vou gozar nunca.

Novo susto, onde ela aprendeu a falar desse jeito?! E com qual propriedade ela sabia que a chupada não estava convencendo? Tentou enfiar a língua, mas ao sentir o gosto mais profundamente, vomitou.

Ela ajeitou a calcinha, abaixou a saia e saiu sem desferir um último olhar, sem uma palavra de conforto, sem ajudar o rapaz para quem, até então, jurava amor eterno. Sentou em um banco próximo, no qual o rapaz pode ouvir em bom som ela falar a um transeunte: “ei, chupa minha boceta.”

Acordou assustada, em chamas. Pensou no Mundinho e levou as mãos ao xibiu. Sonhou, agora acordada.

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3 comentários sobre “Sabor de fruta e sonho

  1. Adoro esses contos. Lembrei da Mary Del Priore que nos faz “penetrar” nas vidas intimas da antiga sociedade colonial repletas de sexualidades, tratando do erotismo e dos atos sexuais da época.

    Neste caso, o Grênivel foi mais ousado. rs

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